terça-feira, 10 de março de 2026

Maurício Alves Braz (1943-1990)

 Maurício Alves Braz nasceu no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1943, filho do casal Manoel Maria Braz e Alvira Alves. Aos 11 anos de idade, Maurício, junto com um irmão e os pais, migrou de Niterói (RJ) para Itaquaquecetuba (SP).

Pelo relato da família de Maurício, ao chegar a Itaquaquecetuba a família residiu numa das moradias cedidas aos funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil, pois Manoel era ferroviário. Essas casas feitas de barro e cobertas de sapé ficavam à beira do Ramal Variante do Parateí, no bairro Vila São Carlos (inaugurado em 1952, o ramal ferroviário liga a estação Manoel Feio até a cidade de São José dos Campos). É possível deduzir que Manoel era operário da manutenção da ferrovia (também chamada de turma de linha).

Durante o período em que moraram neste local, o pai de Maurício faleceu em um acidente de trem. Sua mãe, Alvira, juntou economias às quais ia inteirando, até comprar um imóvel no bairro e mudar-se junto com seus filhos. Ela foi empregada doméstica na casa da família de Benedito Barbosa de Moraes (que era conhecido como Gibi).

Aos 14 anos, Maurício começou a trabalhar na Indústria de Plásticos Back. Aos 18, tirou a carteira de motorista. Foi motorista de caminhão, manobrista e motorista de ônibus. Na Viação Danúbio Azul atuou por 14 anos na mesma linha.

Em abril de 1977, Maurício foi contratado pela Prefeitura de Itaquaquecetuba para prestar serviço na função de motorista, no regime de CLT (carteira assinada). Inicialmente, dirigiu ambulância e depois foi motorista do prefeito Benedito Barbosa de Moraes (PMDB), patrão de sua mãe. A proximidade o levou à política.

O sambista Maurício Alves Braz no inicio da década de 1980 (Acervo da família) 


Na eleição municipal de 1982, Maurício foi eleito vereador pelo PMDB, partido de oposição à ditadura civil-militar, representada pelo PDS (sucessor da ARENA). Obteve 533 votos, sendo o quinto mais votado entre os 15 vereadores eleitos. O PDS elegeu 4 vereadores. A eleição, que contou com 24.529 votantes, foi vencida pelo professor Gumercindo Domingos de Lima (PMDB), com 4.737 votos, diferença de apenas 10 votos de Otílio dos Santos Pires (Tilim), do mesmo partido e segundo colocado. Nesta eleição cada partido podia lançar até 3 candidatos a prefeito. Ao todo foram 11 candidatos a prefeito de Itaquaquecetuba. O PT lançou candidato o advogado Vagner da Costa.

Como vereador, no seu primeiro mandato, Maurício foi presidente da Comissão de Obras Públicas. Apoiou a Assistência Social, o fortalecimento das Sociedades Amigos de Bairros, a construção de creches, a criação de um hospital municipal e postos de saúde; além da criação de uma linha de ônibus entre Itaquaquecetuba e o Litoral. Implementou a feira livre na Vila São Carlos (que já foi a maior feira livre do município).

Na eleição municipal de 1988, Maurício foi reeleito vereador com 457 votos, pelo PMDB, ficando em 3º lugar entre os mais votados da legenda. Antônio Carlos Mendonça (Toninho da Pamonha) foi eleito prefeito, pelo PFL, fazendo festa de rodeio.

Sua filha Clícia recorda que era comum os vizinhos do bairro pedirem ajuda ao seu pai. Quando falecia alguém, os vizinhos procuravam o vereador para obter enterro gratuito da municipalidade e ônibus para o cortejo até o cemitério.

Maurício gostava de samba e de futebol; torcia para o Santos F.C. Durante seu segundo mandato de vereador, ele foi presidente do IAC (Itaquaquecetuba Atlético Clube), clube de futebol fundado em 25/11/1980. O IAC disputava a terceira divisão do Campeonato Paulista de Futebol, em 1987, quando o jovem Cafu entrou para o elenco (ele disputou três e ganhou duas Copas do Mundo FIFA: 1994 e 2002).

Maurício passou mal numa das Sessões da Câmara de Vereadores, mas não contou à família. No dia 23 de março de 1990, Maurício Alves Braz faleceu vítima de infarto às 17h52, aos 46 anos de idade. Deixou a viúva Edwiges, e os filhos: Rosana Cristina, Dulcinéia, Itamário, Joelma, Amarildo e Clícia. Foi sepultado na cidade onde viveu desde os 11 anos de idade.

Maurício Alves Braz foi homenageado como patrono da Escola Estadual do bairro do Jardim Maragogipe (Lei nº 7371 de 11/06/1991) e do Plenário da Câmara Municipal de Itaquaquecetuba; também nomeia uma rua no bairro Vila Virgínia, nas proximidades da Prefeitura de Itaquaquecetuba.

Cláudio Sousa