Maurício Alves Braz nasceu no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1943, filho do casal Manoel Maria Braz e Alvira Alves. Aos 11 anos de idade, Maurício, junto com um irmão e os pais, migrou de Niterói (RJ) para Itaquaquecetuba (SP).
Pelo relato da família de Maurício,
ao chegar a Itaquaquecetuba a família residiu numa das moradias cedidas aos
funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil, pois Manoel era
ferroviário. Essas casas feitas de barro e cobertas de sapé ficavam à beira do Ramal
Variante do Parateí, no bairro Vila São Carlos (inaugurado em 1952, o ramal
ferroviário liga a estação Manoel Feio até a cidade de São José dos Campos). É
possível deduzir que Manoel era operário da manutenção da ferrovia (também
chamada de turma de linha).
Durante o período em que moraram
neste local, o pai de Maurício faleceu em um acidente de trem. Sua mãe, Alvira,
juntou economias às quais ia inteirando, até comprar um imóvel no bairro e
mudar-se junto com seus filhos. Ela foi empregada doméstica na casa da família
de Benedito Barbosa de Moraes (que era conhecido como Gibi).
Aos 14 anos, Maurício começou a
trabalhar na Indústria de Plásticos Back. Aos 18, tirou a carteira de
motorista. Foi motorista de caminhão, manobrista e motorista de ônibus. Na
Viação Danúbio Azul atuou por 14 anos na mesma linha.
Em abril de 1977, Maurício foi
contratado pela Prefeitura de Itaquaquecetuba para prestar serviço na função de
motorista, no regime de CLT (carteira assinada). Inicialmente, dirigiu
ambulância e depois foi motorista do prefeito Benedito Barbosa de Moraes (PMDB),
patrão de sua mãe. A proximidade o levou à política.
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| O sambista Maurício Alves Braz no inicio da década de 1980 (Acervo da família) |
Na eleição municipal de 1982,
Maurício foi eleito vereador pelo PMDB, partido de oposição à ditadura
civil-militar, representada pelo PDS (sucessor da ARENA). Obteve 533 votos,
sendo o quinto mais votado entre os 15 vereadores eleitos. O PDS elegeu 4
vereadores. A eleição, que contou com 24.529 votantes, foi vencida pelo
professor Gumercindo Domingos de Lima (PMDB), com 4.737 votos, diferença de
apenas 10 votos de Otílio dos Santos Pires (Tilim), do mesmo partido e segundo
colocado. Nesta eleição cada partido podia lançar até 3 candidatos a prefeito.
Ao todo foram 11 candidatos a prefeito de Itaquaquecetuba. O PT lançou
candidato o advogado Vagner da Costa.
Como vereador, no seu primeiro
mandato, Maurício foi presidente da Comissão de Obras Públicas. Apoiou a
Assistência Social, o fortalecimento das Sociedades Amigos de Bairros, a
construção de creches, a criação de um hospital municipal e postos de saúde;
além da criação de uma linha de ônibus entre Itaquaquecetuba e o Litoral.
Implementou a feira livre na Vila São Carlos (que já foi a maior feira livre do
município).
Na eleição municipal de 1988, Maurício
foi reeleito vereador com 457 votos, pelo PMDB, ficando em 3º lugar entre os
mais votados da legenda. Antônio Carlos Mendonça (Toninho da Pamonha) foi
eleito prefeito, pelo PFL, fazendo festa de rodeio.
Sua filha Clícia recorda que era
comum os vizinhos do bairro pedirem ajuda ao seu pai. Quando falecia alguém, os
vizinhos procuravam o vereador para obter enterro gratuito da municipalidade e
ônibus para o cortejo até o cemitério.
Maurício gostava de samba e de
futebol; torcia para o Santos F.C. Durante seu segundo mandato de vereador, ele
foi presidente do IAC (Itaquaquecetuba Atlético Clube), clube de futebol
fundado em 25/11/1980. O IAC disputava a terceira divisão do Campeonato
Paulista de Futebol, em 1987, quando o jovem Cafu entrou para o elenco (ele
disputou três e ganhou duas Copas do Mundo FIFA: 1994 e 2002).
Maurício passou mal numa das
Sessões da Câmara de Vereadores, mas não contou à família. No dia 23 de março
de 1990, Maurício Alves Braz faleceu vítima de infarto às 17h52, aos 46 anos de
idade. Deixou a viúva Edwiges, e os filhos: Rosana Cristina, Dulcinéia,
Itamário, Joelma, Amarildo e Clícia. Foi sepultado na cidade onde viveu desde
os 11 anos de idade.
Maurício Alves Braz foi
homenageado como patrono da Escola Estadual do bairro do Jardim Maragogipe (Lei
nº 7371 de 11/06/1991) e do Plenário da Câmara Municipal de Itaquaquecetuba;
também nomeia uma rua no bairro Vila Virgínia, nas proximidades da Prefeitura
de Itaquaquecetuba.
Cláudio Sousa
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